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terça-feira, 17 de setembro de 2013

Síndrome do Imobilismo

É um conjunto de alterações que ocorrem no indivíduo acamado por um período prolongado.
Pode ser entendido ainda como um “complexo de sinais e sintomas resultantes da supressão de todos os movimentos articulares e, por conseguinte, a incapacidade de mudança postural’’.

A síndrome do imobilismo(SI) resulta em uma serie de alterações que reduzem a capacidade funcional de todos os sistemas, tais como:

Sistema Osteomuscular:

- Osteoporose
- Fibrose
- Redução de resistência muscular
- Atrofia
- Fraqueza muscular
- Contraturas

Geralmente é o sistema mais acometido pelo imobilismo, as limitações funcionais podem prejudicar as transferências, posturas e movimento no leito e em cadeiras de rodas, dificultar as AVD`s e AVP`s, alterar o padrão da marcha e aumentar o risco de formação de úlceras de pressão.

A inatividade afeta diretamente a força muscular e resistência a fadiga, a força exercida pela gravidade nos ossos e tecidos de apoio é reduzida.Os primeiros músculos a se tornarem fracos e atrofiados são os músculos de MMII e tronco cuja função é resistir à força de gravidade.

O imobilismo é o responsável pelas seguintes alterações musculares:

- Diminuição no nível de glicogênio e ATP
- A diminuição na atividade muscular pode comprometer a irrigação sanguínea com baixa tolerância ao ácido lático e débito de O2 com consequente diminuição na capacidade oxidativa.
- Diminuição da síntese protéica (observada na sexta hora).
- Atrofia das fibras musculares tipo I e II.
- Diminuição da força muscular e diminuição do número de sarcômeros.
- Diminuição do torque.
- Incoordenação pela fraqueza generalizada resultando em má qualidade de movimento.
- Dor/Desconforto após a imobilização (imobilidade induz a um processo inflamatório tecidual com liberação de substâncias que estimulam os receptores locais de dor).

As contraturas podem ser outro efeito da imobilização, podendo envolver músculos e outros tecidos moles. É definida como perda de amplitude articular de movimento devido à limitação articular, muscular ou tecido mole. Ocorrem quando os músculos nao têm a atividade necessária para manter a integridade de suas funções

Podem ser divididas em 3 categorias de acordo com a localização anatômica das mudanças patológicas:

- Articular (artrogênica)
- Muscular (miogênica)
- Contraturas do tecido conectivo
As contraturas miogênicas e de tecidos moles sao mais associadas com a imobilidade. Três fatores desempenham um papel importante no desenvolvimento da contratura: A posição do membro, a duração da imobilização e mobilização das partes não afetadas.


Sistema Respiratório:

É o local de complicação ameaçadoras da vida durante imobilidade prolongada. Ocorre uma redução do volume corrente, volume minuto, capacidade pulmonar total, capacidade residual funcional, volume residual e volume expiratório forçado. Todas essas funções estariam diminuindo de 25 a 50% no imobilismo. Os movimentos diafragmáticos e intercostais são diminuídos com posterior perda de força muscular. A respiração fica mais superficial e a respiração alveolar é reduzida com um aumento relativo de dióxido de carbono nos alvéolos, aumentando a frequência respiratória.

A eliminação das secreções é mais difícil pela posição, o local da parede brônquica que fica por baixo acumula mais secreções que a parte superior da parede. A tosse é menos efetiva, somada á fraqueza dos músculos abdominais e função ciliar, diminuindo e predispondo o paciente a infecções respiratórias altas e atelectasias.

Sistema Metabólico:

Com o imobilismo há predomínio do catabolismo com balanço negativo de nitrogênio, cálcio, fosforo, enxofre, sódio e potássio entre outros.
Ocorrem alterações hormonais como:
- Aumento do PTH sérico por mecanismo ainda desconhecido, provavelmente
relacionado a hipercalcemia devido a imobilização.
- Diminuição andrôgenica durante a espermatogênese.
- Diminuição dos níveis de GH, ACTH e produção de catecolaminas.

Sistema Gastrointestinal:

A falta de movimento e estimulação provocam alteração em todo trato gastrointestinal (TGI) como: Falta de apetite, redução da peristalse, causando absorção mais lenta de nutrientes causada por um alto nível de atividade adrenérgica. Esse fator, junto com a perda de volume plasmático e desidratação que acompanham o repouso no leito, geralmente resulta em constipação.


Sistema Geniturinário:

O esvaziamento da bexiga é comprometido pelo decúbito dorsal, devido a dificuldade de gerar pressão intra-abdominal nessa posição. Ocorre enfraquecimento dos músculos abdominais, restrição nos movimentos diafragmáticos e relaxamento incompleto do assoalho pélvico, provocando a retenção urinária parcial.

Tecido articular:

O líquido sinovial lubrifica e nutre a cartilagem, mas necessita do movimento para que haja circulação dos nutrientes, síntese e degradação da matriz e estímulos aos sensores elétricos e mecânicos da articulação. Portanto, com a inatividade há atrofia da cartilagem com desorganização celular nas inserções ligamentares, proliferação do tecido fibrogorduroso e consequentemente espessamento da sinóvia e fibrose capsular.


Tecido ósseo:

Observadas as seguintes alterações:
- Diminuição da massa óssea total devido ao aumento da atividade osteoclástica e diminuição da atividade osteoblástica
- Aumento da excreção de cálcio (máxima atividade osteoclástica em torno de 16 semanas).
Como resultado de todas as alterações do sistema ósseo, articular e muscular, podem surgir complicações como contraturas articulares, hipotrofia, atrofia muscular e osteoporose.

Tecido tegumentar:

No imobilismo é comum encontrarmos atrofia de pele e úlceras de decúbito influenciadas por:

• Pressão
• Idade
• Umidade
• Estado nutricional
• Edema
• Condições metabólicas
• Alterações sensitivas
• Aplicação de forças transversais associadas ao aumento da fragilidade da pele
• Distúrbios neurológicos
• Colchão inadequado
• Higiene corporal inadequada

As úlceras de decúbito ocorrem quando uma pressão extrínseca sobre a pele supera a pressão capilar média (32 mmHg), diminuição do fluxo sanguíneo e a oxigenação tecidual.
Ex: (Em pacientes deitados à pressão sobre o sacro e o trocanter chegam ate 100 a 150mmHg).

A idade avançanda pode aumentar o risco, devido a alteração na pele, incluindo menor espessura e vascularização da camada dérmica, retardo da capacidade de cura de feridas e redistribuição do tec. Adiposo da camada subcutânea para a camada mais profunda.

A úlcera de pressão é um dos principais exemplos de integridade da pele prejudicada, representa uma ameaça direta para o individuo, causando desconforto, prolongamento da doença, demora na reabilitação e alta podendo causar morte por septicemia (organismo infeccioso como pseudomonas aeruginosas estreptococos, estáfilococos e escherichia coli, localmente e sistemicamente).

São definidas como áreas localizadas de necrose celular causada por isquemia, a qual privou os tecidos de oxigênio e nutrientes.

Podem ocorrer em qualquer ponto do corpo. Os locais típicos incluem áreas que possuem um minimo de tecido adiposo subcutâneo e proeminências ósseas com:

- Sacro
- Grande trocanter
- Escápula
- Maléolo Lateral
- Coluna torácica
- Calcanhares
- Occipital
- Joelhos
- Tuberosidades Isquiáticas
- Orelhas
- Epicôndilos laterais


Ulceras de pressão


São definidas como áreas localizadas de necrose celular causada por isquemia, a qual privou os tecidos de oxigênio e nutrientes.

As alterações da integridade da pele que comumente resultam em lesões denominadas úlceras de pressão ( U.P.), escaras ou úlceras de decúbito, tem sido relatadas como sendo objeto de preocupação da equipe de saúde.Hoje sabe-se que algumas lesões são decorrentes de fatores inerentes à doença e ao estado do paciente de alto risco. No entanto a maior parte do problema pode ser evitado através do uso de materiais e equipamentos adequados para alívio da pressão, cuidados adequados com a pele e considerações com os aspectos nutricionais. Dados da literatura internacional estimam que entre 3% a 14% de todos os pacientes hospitalizados atualmente desenvolvem U.P.Nos portadores de problemas crônicos e residentes em asilos para idosos a incidência estimada é de 15% a 25%.Úlcera de pressão conhecida também como escara ou úlcera de decúbito definida como qualquer lesão causada por pressão não aliviada que resulta em danos nos tecidos subjacentes (tecido subcutâneo, músculo, articulações, ossos).
As úlceras de pressão geralmente ocorrem nas regiões de proeminências ósseas e são graduadas em estágios I, II, III e IV para classificar o grau de danos observados nos tecidos.

Estágio I

É um eritema da pele intacta que não embranquece após a remoção da pressão. Em indivíduos com a pele mais escura, a descoloração da pele, o calor, o edema ou o endurecimento também podem ser indicadores de danos.

Estágio II

É uma perda parcial da pele envolvendo a epiderme, derme ou ambas. A úlcera é superficial e apresenta-se como uma abrasão, uma bolha ou uma cratera rasa.

Estágio III

É uma perda da pele na sua espessura total, envolvendo danos ou uma necrose do tecido subcutâneo que pode se aprofundar, não chegando até a fáscia muscular. A úlcera se apresenta clinicamente como uma cratera profunda.

Estágio IV

É uma perda da pele na sua total espessura com uma extensa destruição ou necrose dos músculos, ossos ou estruturas de suporte como tendões ou cápsulas das juntas.



Avaliação do paciente com risco de úlcera de pressão:

Todos indivíduos em risco devem ter uma inspeção sistemática da pele pelo menos uma vez por dia prestando-se atenção particular às regiões de proeminência ósseas. Indivíduos restritos no leito ou na cadeira ou aqueles indivíduos que estão com dificuldade de se reposicionar devem ser avaliados para fatores adicionais que aumentam o risco para desenvolver úlcera de pressão. Os indivíduos devem ser avaliados no momento da admissão nas unidades de internação ou reabilitação hospitalares, nos asilos, nos programas de visita domiciliar e outras situações de cuidado de saúde.



Prevenção

  • A pele deverá ser limpa no momento que se sujar ou em intervalos de rotina.
  • Diminuir os fatores ambientais que levam ao ressecamento da pele (frio, umidade baixa). 
  • Mudança de decúbito, de duas em duas horas. 
  • Mobilização precoce, minimizar a exposição da pele à umidade devido a incontinência urinária, perspiração ou drenagem de feridas. 
  • As lesões da pele devido a fricção e força de cisalhamento devem ser minimizadas através de um posicionamento adequado e uso de técnicas corretas para transferência e mudança de decúbito.
  • Posicionamento adequado.

O uso de superfícies de suporte e alívio da carga mecânica.


Para indivíduos no leito, materiais de posicionamento como travesseiros ou almofadas de espuma devem ser usadas para manter as proeminências ósseas (como os joelhos ou calcanhares) longe de contato direto um com o outro ou com a superfície da cama, de acordo com um plano de cuidados por escrito.Qualquer indivíduo avaliado como estando em risco para desenvolver úlcera de pressão deve ser colocado em um colchão que redistribua o peso corporal e reduza a pressão como colchão de espuma, ar estático, ar dinâmico, gel ou água.Para indivíduos que ficam sentados em cadeiras é recomendado o uso de equipamentos para reduzir a pressão como aqueles feitos de espuma, gel, ar ou uma combinação destes. Não usar almofadas redondas em forma de anel ou argola. O posicionamento dos pacientes em cadeira devem incluir considerações com o alinhamento postural a distribuição do peso, o balanço e a estabilidade e o alívio da pressão.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

QUEIMADURAS

As queimaduras são lesões causadas por calor, substâncias corrosivas, líquidos e vapores, podendo ocorrer também pelo frio intenso e por radiação solar e elétrica. 

Quando apenas a pele é afetada, chamamos de queimadura superficial. Ocorrem vermelhidão, inchaço e até bolhas. Se o tecido subcutâneo é comprometido, a queimadura é profunda, ficando a pele muito vermelha ou escura, podendo inclusive, soltar água. 

Considerando a profundidade, as queimaduras são classificadas em:

Primeiro grau: quando a lesão é superficial. Aparecerão vermelhidão, inchaço e dor. 

• Segundo grau: quando a ação do calor é mais intensa. Além da vermelhidão, aparecem bolhas ou umidade na região afetada. A dor é mais intensa. 

Terceiro grau: há destruição da pele. Atingem gordura músculo e até ossos. Pela destruição das terminações nervosas, ocorre pouca ou nenhuma dor. A pele apresenta-se esbranquiçada ou carbonizada.

A extensão da área queimada é, muitas vezes mais importante do que a profundidade da lesão para determinar a gravidade. É o caso de uma queimadura de primeiro grau, que, por exemplo, pode atingir uma ampla área do corpo.

A extensão é medida em porcentagem da área total da superfície do corpo. É a "regra dos nove", que divide o corpo em áreas de aproximadamente 9%, utilizada para calcular a extensão da queimadura e decidir o tipo de tratamento, conforme a figura ao lado.






A queimadura sempre exige socorro imediato !

Como proceder?

• Se a roupa estiver pegando fogo, abafe com um cobertor. Mantenha a pessoa deitada. 

• Se a roupa estiver molhada, retire-a imediatamente. O tecido mantém o calor do líquido. 

• Retire da área queimada qualquer roupa apertada. Não se esqueça de que as queimaduras podem causar inchaços. 

• Cubra suavemente a queimadura com um pano limpo de tecido de algodão (lençol, fronha, fralda ou lenço). Evite tecidos sintéticos. 


O que não fazer? 

• Nuca passe óleo, manteiga, creme ou loção anti séptica. 

• Não tente retirar pedaços de roupa queimada que tenham grudado na pele.

• Não mexa na queimadura, principalmente se a pele estiver levantando. 

• Nunca arranque a pele. 

• Não fure a bolha. 

• Não passe material felpudo ou chamuço de algodão. 


Quando procurar um médico? 

• Quando a queimadura tiver mais de um palmo. 

• Se a pele tiver sido destruída. 

• Quando não souber definir a gravidade da queimadura, em especial se tiver atingido o rosto, mãos ou pés. 

• Se, após três dias, a queimadura não começar a cicatrizar. 

As queimaduras na boca e na garganta são muito perigosas porque causam rapidamente inchaço e inflamação das vias respiratórias, que pode bloquear a passagem de ar, com sério risco de asfixia. Há necessidade de cuidados médicos urgentes. 


Queimadura de sol

A queimadura solar tem sintomas equivalentes às queimaduras leves: a pele fica avermelhada, quente, dolorida e podem aparecer bolhas.

Como proceder?

• Esfrie a pele com banho frio de chuveiro ou chuveiro. 

• Se não tiver banheiro ou chuveiro, cubra a pessoa por dez minutos com toalhas 
umedecidas em água fria.

• Enxugue a pele delicadamente com toalha macia felpuda ou pano de fralda. 

• Aplique loção de calamina (Caladryl) ou outra loção refrescante. Pode ser usado talco mentolado ou compressas frias de bicarbonato de sódio. (1 colher das de café para cada litro de água). 

• Mantenha a área coberta e longe do sol por vários dias, até a sensibilidade da pele voltar ao normal. 

Insolação

A insolação é um acidente grave provocado por calor excessivo ou exposição direta e prolongada ao sol. É causada por um distúrbio no mecanismo de controle da temperatura do corpo, e pode provocar febre alta, acima de 39º, pulsação acelerada, enjôo
e vômitos, tonturas e até desmaio. 

Como socorrer em caso de insolação?

• Dê um banho frio de chuveiro ou banheira, ou cubra o corpo da pessoa com toalhas molhadas em água fria. 

• Deite-a em lugar fresco, arejado e à sombra.

• Molhe seus lábios, para aliviar a secura. Dê pequenos goles de água com sal (1 colher de sal para cada litro de água). 

• Depois, dê bastante água ou refrigerante para hidratar. 

• Jamais dê bebida alcoólica. 

Procure um médico se a pessoa desmaiar. Fique atento à respiração e à pulsação.

Queimaduras por produtos químicos

As queimaduras por produtos químicos são sempre graves. Geralmente, são causadas por produtos de higiene, cal, gasolina, álcool e cândida (água sanitária). 

Como proceder?

• Coloque, imediatamente, a pessoa vestida debaixo de um chuveiro, com a água fria, retirando a roupa em seguida. 

• Lave completamente a parte atingida, usando grande quantidade de água corrente. 

• Aplique uma atadura esterilizada sobre a região afetada e conduza a vítima imediatamente ao pronto socorro. 

Atenção: Não use outros produtos para tentar neutralizar o agente causador da queimadura. Isso pode agravar ainda mais as lesões. 


Em caso de queimaduras nos olhos, deixe a água escorrer sobre eles por cinco minutos seguidos, e procure imediatamente socorro médico. 

Queimaduras por eletricidade

É muito importante você saber que, quando uma corrente elétrica atinge o corpo, podem ocorrer queimaduras. Embora os danos sejam visíveis, pode ocorrer uma sequência de danos internos. 

As queimaduras por eletricidade geralmente são causadas por raio ou correntes de baixa ou alta voltagem. Um choque elétrico pode causar parada cardíaca e respiratória. Nesse caso, a queimadura em si passa a não ser tão importante. Para salvar a vida da vítima, faça reanimação com a máxima urgência. 

Em caso de choque elétrico, desligue sem demora a força elétrica, antes de tocar na pessoa.

Não seja você a próxima vítima!

Se você não souber onde ou como desligar a chave geral de energia, não estando a vítima molhada, puxe-a pelas roupas até desgrudá-la da fonte que provocou o choque. 

Caso a pessoa esteja presa a um fio elétrico, use um cabo de vassoura para remover o fio. 

Em caso de choque em criança que introduziu um objeto de metal em uma tomada elétrica, primeiro desligue a chave geral da caixa de energia elétrica, depois remova a criança.

Geralmente, as queimaduras causadas por eletricidade são profundas, e sempre devem ser examinadas por um médico. 



Queimaduras: Conselhos Úteis

• Jamais deixe uma frigideira ou panela com gordura quente no fogão. 

• Evite deixar panelas ao alcance de crianças. 

• Nunca jogue água sobre o fogo provocado na frigideira pela queima da gordura. Para apagá-lo, tampe a panela ou cubre-a com um pano. 

• Vire os cabos das panelas e frigideiras para o lado de dentro ou para o fundo do fogão. 

• Em ambiente com criança, mantenha protetores de tomadas. 

• Produtos de limpeza, químicos e de higiene pessoal devem ser mantidos longe do alcance de crianças e em lugar seco. 

• Álcool e gasolina jamais devem estar ao alcance de menores e sempre distantes de locais onde haja fogo.• Quando usar churrasqueira, nunca borrife álcool. Procure formar brasa naturalmente ou gel específico.

Fonte: Clínica Deckers

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Artrose - Doença pode afetar jovens obesos

A dor vai chegando aos poucos. Primeiramente, a sensação de incômodo acontece pela manhã ou após muito tempo em que as juntas ficam na mesma posição ou paradas. A artrose, que consiste no desgaste das articulações, normalmente começa assim. Um dos primeiros sintomas é dor no joelho ao subir e descer escadas ou ao agachar. Com o tempo, as dores tornam-se mais agudas e frequentes, podendo acometer também o quadril e a coluna. 

Antes, a doença era característica da terceira idade. No entanto, devido aos hábitos modernos, hoje não é raro encontrar um jovem que sofra com o problema, especialmente os obesos. O ortopedista Rodrigo Egger, de Londrina, afirma que a quantidade de jovens com artrose aumentou nos últimos anos. Segundo ele, isso acontece porque atualmente as crianças e os adolescentes se movimentam menos. 

''É raro uma criança que vai a pé para a escola. Além disso, elas passam muito tempo em frente à televisão e ao computador e, para piorar, comem de forma errada'', ressalta. Outro fator que contribui é o fato de a criança não praticar atividade física. ''Com isso, ela não desenvolve a musculatura como deveria'', diz. 

Apesar de a artrose não ser comum na infância, o médico explica que os hábitos inadequados nessa fase aumentam a probabilidade de a doença aparecer na idade adulta. 

De acordo com Egger, entre as principais causas para da doença estão a prática de esporte de alto impacto e o sobrepeso. ''Para prevenir a artrose é necessário manter a articulação saudável. Para tanto, é preciso se movimentar, não ficar acima do peso e ter um bom fortalecimento muscular'', orienta. 

O médico enfatiza que a artrose pode limitar muito a vida da pessoa e que o tratamento depende do grau em que a doença se encontra. ''Existem quatro graus. Quando a cartilagem começa a amolecer trata-se do primeiro; quando começa a perder a estrutura é o segundo; se há pequenas lesões e algumas partes do osso chegam a ficar expostas é o terceiro; e, por fim, quando a lesão já se formou, a artrose está definitivamente instalada e a doença chegou ao último grau, que é o mais grave'', explica. 

Entre os tratamentos indicados estão o uso de medicamentos e até a cirurgia. ''Alguns medicamentos podem ser injetados diretamente na articulação para melhorar a nutrição e fortalecer a cartilagem'', destaca Egger. 

Ele salienta que é necessário tratar a doença para que não evolua. ''Em casos extremos é necessário substituir a superfície articular por uma prótese. Colocar uma prótese em uma pessoa com menos de 60 anos é muito ruim, pois intefere demais na qualidade de vida'', disse o médico, ressaltando que a lesão que se instalou não regride. ''A gente trata para a doença não evoluir'', finaliza.

Paula Costa Bonini

domingo, 13 de janeiro de 2013

Quais são os males de utilizar uma bolsa muito pesada?


Sua bolsa vai lhe gerar artrite? Isso para não mencionar as hérnias discais e joelhos ruins. Levar uma carga pesada durante um tempo, pode lhe dar anos a mais no seu corpo!

Estudos mostram que metade das mulheres sofrem de dor por carregar bolsas pesadas. E agora, os homens também sofrem, de acordo com nova pesquisa pela British Chiropractic Association.

"Homens com bolsas ou mochilas pesadas, em média 6,2 kg, colocar uma tensão desequilibrada e estresse sobre o corpo, o que pode levar a dor, má postura e problemas de saúde." diz Rishi Loatey, da associação britânica de Quiropraxia. "Eu tenho notado um aumento de pacientes com dor no pescoço e trapézio devido ao transporte frequente de cargas pesadas." ele adiciona.

"Carregar uma bolsa tem um enorme impacto sobre postura e movimento." diz a fisioterapeuta Bupa Russell Stocker. "Embora você possa não notar, drasticamente seu corpo se adapta e compensa. Isso foi ainda mais acentuado quando utilizado salto alto."

PESCOÇO

Quando você carrega uma bolsa, seu pescoço se inclina naturalmente se afastando da carga para ajudar a equilibrar o peso.

Isso gera tensão no lado escriturado do pescoço e compressão no lado oposto.

Por isso, a distância entre o pescoço e o ombro aumenta", diz Russell.

O problema é que isso ocorre onde um feixe de nervos se unem (formando o plexo braquial) antes de executar no braço; a tensão pode levar à inflamação muscular e dor.

"Ao longo do tempo, isso poderia desencadear um episódio agudo" ', diz ele, pode haver espasmos musculares, restringindo a circulação e causando dor.

OMBROS E COSTAS

O ombro, devido ao peso, é girado para trás e fica levantado com o tempo, explica Russell.

Isso afeta os músculos de baixo para cima das costas, escápulas e paravertebrais.

Como médico ortopedista do Bupa, Dr. Leon Creaney explica: "A músculatura não vai segurar a coluna corretamente, então a tendência da pessoa é a má postura, com as costas e ombros curvados.'

A longo prazo, isso pode levar a artrite dolorosa nas articulações. "O lado do corpo que não carrega a bolsa, inclina-se para longe, triturando a parte inferior das costas deste lado, ao mesmo tempo, estendendo-se ainda mais do outro." acrescenta Russell.

Isto comprime as vértebras, empurrando-as para baixo.

Carregando uma bolsa pesada pode, ao longo do tempo, também causar degeneração discal e prolapso, diz Dr Creaney. 

"Este pode ser agonizante e até mesmo exigir cirurgia". explica — "...e carregando uma bolsa pesada pode levar a degeneração de disco mais rápido.

"Tendo uma carga pesada de um lado também pode causar compressão e irritação dos nervos espinhais — possivelmente levando a dor ciática, que também é muito dolorosa."

BRAÇOS

O braço carregando a bolsa permanece estático durante a caminhada para manter a carga equilibrada.

"Isto é completamente diferente para o movimento de balanço natural que fazemos ao caminhar.", diz Russell.

"Sem o balanço normal do braço usado como um mecanismo de equilíbrio, pode torná-lo um pouco instável e realmente significa que precisa de maior esforço para avançar.

Os nervos nos braços também podem tornar-se irritados com a pressão da bolsa, levando a dor crônica.

QUADRIS E PERNAS

A longo prazo, as mulheres podem desenvolver artrite pelo aumento da pressão. "Carregando uma bolsa, a pessoa caminha de forma diferente, e as alterações da forma, como as forças, atuam através do sistema esquelético, o que poderia causar problemas e dor.", diz Russell.

Quanto maior for a carga da bolsa, é maior a pressão sobre as articulações da perna. Durante um longo período, a força sobre os joelhos pode causar desgaste e problemas nas articulações.

"Com uma bolsa pesada, a pessoa também toma medidas mais curtas — uma adaptação provavelmente faz seu corpo controlar melhor a carga e permanecer na posição vertical." ele adiciona.

Fonte: Fisioterapia.com

domingo, 6 de janeiro de 2013

Conheça mitos e verdades sobre exercícios abdominais

Receita "infalível" para perder a barriga, todo mundo tem. Para entender o que faz sentido e pode dar resultado em um programa para fortalecer o abdome, a Folha de São Paulo perguntou a educadores físicos, treinadores, fisiologista e fisioterapeuta o que há de mito e de verdade nas orientações para esses exercícios.

Tire suas dúvidas a seguir:

Exercício localizado faz perder barriga?

Não. "O que faz perder barriga é uma boa dieta", afirma o fisioterapeuta Leonardo Machado. Atividade aeróbica também ajuda, porque aumenta o gasto calórico.

"No treino aeróbico a pessoa perde gordura no corpo todo, não apenas na barriga", diz Saturno de Souza, diretor técnico da rede Bio Ritmo. E os exercícios localizados não fazem com que a perda de gordura ocorra em uma região específica.

"O gasto calórico dos abdominais é irrisório, não serve para emagrecer", diz Turíbio Leite de Barros, da Unifesp.

É melhor fazer os exercícios todos os dias ou deixar o músculo descansar?

O aumento da massa muscular não acontece durante o exercício, mas sim no período de repouso, explica o fisiologista do exercício Turíbio Leite de Barros, professor da Unifesp.

"É preciso pelo menos 24 horas de descanso para o músculo recuperar o estoque de energia gasto durante o exercício e se refazer dos microtraumas provocados pelo esforço. É esse processo que cria volume e definição muscular", diz.


O ator e musico Rafael Rezende faz meia hora semanal 
de exercícios abdominais mais treino diário geral

Quem não tem como objetivo uma barriga hipertrofiada pode fazer os exercícios abdominais diariamente, desde que não sejam muito intensos e que trabalhem diferentes músculos a cada dia --por exemplo, alternando exercícios para os retos do abdome e para os transversos--, sugere Saturno de Souza, diretor técnico da rede Bio Ritmo.

Aparelhos resolvem ou é melhor usar o peso do próprio corpo?

Para acionar vários grupos musculares na execução de um exercício, o melhor é usar o peso do próprio corpo, diz Luciano D'Elia, especializado em treino funcional.

No aparelho, os músculos são trabalhados de forma isolada, algo que não acontece quando a pessoa se movimenta normalmente para realizar atividades cotidianas.

Estudos realizados no departamento de cinesiologia da faculdade de Los Angeles com aparelhos que medem com eletrodos a atividade muscular mostraram que, sem aparelhos, o trabalho dos músculos é um pouco maior, conta Eduardo Neto, diretor técnico das academias Bodytech.

Mas os aparelhos podem ser vantajosos para o iniciante, porque evita que a pessoa force outras partes do corpo, como o pescoço, durante a execução do exercício, diz o educador físico Saturno de Souza.

Quais são as principais características dos novos abdominais?

Para começar, os exercícios abdominais do momento não são feitos com a pessoa deitada no chão ou sentada, como nos treinos de abdome convencionais. Alguns desses movimentos nem mesmo parecem abdominais.

"Fazemos, por exemplo, exercícios de agachamento, parece que são para a perna. Mas o aluno tem que fazer o movimento contraindo o abdome, para manter a postura, e assim ele também exercita os músculos dos glúteos e da região lombar", conta o professor Luciano D'Elia, que é especializado em treino funcional.

Os "novos" abdominais incluem exercícios isométricos -- caracterizados pela contração muscular sustentada por algum tempo, sem que aconteça o movimento das articulações.

Esses exercícios substituem aquelas numerosas repetições das flexões tradicionalmente usadas para o fortalecimento da barriga. Já há um consenso na área acadêmica que esse tipo de abdominal não é tão eficiente e acaba aumentando o risco de lesão na coluna, especialmente na lombar.

Agora, "a pessoa é deixada por alguns segundos em uma posição que exija a contração do abdome e dos glúteos, como acontece em algumas posturas invertidas da ioga", exemplifica a educadora física Juliana Romantini, professora da academia Cia. Athletica.

Gerar instabilidade, fazendo a pessoa subir em uma bola ou ficar de pé em uma prancha, é outra estratégia utilizada nas novas aulas de abdominais para trabalhar a musculatura mais profunda da região.

Quanto maior o número de repetições, melhor é o resultado do treino para fortalecer o abdome?

Não é verdade. Os abdominais são músculos naturalmente solicitados o tempo todo: você os usa para manter a postura ereta, caminhar e levantar objetos. "Não é preciso muitas repetições em aula para tonificar a barriga", diz Juliana Romantini, professora da Cia. Athletica.

E para quem quer resultados mais visíveis, como uma barriga tanquinho? "Muita repetição não é o mais indicado para ganhar definição muscular. Esse resultado pode ser obtido com uma combinação de treino, alimentação e repouso", afirma o educador físico Luciano D'Elia, especialista em treino funcional.

Dá para ganhar uma barriga 'chapada' em um mês de treino?

Até dá, mas vai perder rápido também. O corpo funciona em ciclos: ao atingir o condicionamento máximo passa a perder o que ganhou. "Muitos tentam reverter isso se enchendo de suplementos e anabolizantes", diz Saturno de Souza. Resultados visíveis e duradouros só surgem depois de 10 a 12 semanas de treinos.

Os resultados dos abdominais são iguais para homens e mulheres?

O metabolismo masculino favorece o ganho de massa muscular, que é bem maior e mais rápido neles, afirma o fisiologista do esporte Turíbio Leite de Barros, da Unifesp. Mas, em compensação, os homens têm mais facilidade de acumular gordura apenas na região da barriga (enquanto nas mulheres o acúmulo maior costuma acontecer na região do quadril).

A delegada Fernanda Rivaben faz treinos
específicos para manter a barriga sequinha

Os exercícios abdominais podem ser os mesmos para homens e mulheres. "O que vai mudar é a intensidade do treino e a carga, que são maiores para os homens", afirma o educador físico Luciano D'Elia.
Abdominais devem ser os últimos exercícios da sessão de musculação?

É controverso. "É mais seguro deixar os abdominais para o final. Se esses músculos já estiverem cansados, o aluno não conseguirá segurar a postura nos outros exercícios, o que elevará o risco de lesão", defende o professor Saturno de Souza.

O treino funcional prega o oposto, mostra o professor Luciano D'Elia: "O centro do corpo é a parte mais importante do treino, precisa ser exercitada no momento de maior pique, logo após o aquecimento".

Fazer apenas exercícios aeróbicos é suficiente para acabar com a barriga?

Aeróbicos são a melhor forma para acabar com o excesso de gordura abdominal, afirma Turíbio Leite de Barros. Mas esses treinos não dão resultados sem uma reeducação alimentar, lembra o fisioterapeuta Leonardo Machado.

Para a professora de educação física Juliana Romantini, da academia Cia. Athletica, não adianta só perder gordura. "Se a pessoa tem hábitos posturais que fazem a barriga saltar, precisa de exercícios para corrigir isso."

É bom manter a barriga sempre contraída?

Nenhum grupo muscular foi feito para trabalhar o dia todo, responde o fisioterapeuta Leonardo Machado. "Só os músculos do coração e do diafragma fazem isso, mas de forma alternada", diz ele.

Manter o abdome sempre contraído inverte a curvatura lombar, aumentando a pressão nos discos intervertebrais. A contração também faz pressão sobre os órgãos e dificulta o trânsito intestinal, o que pode causar de gases a hérnias, segundo Machado.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo. Acessado em 06/01/13.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Afinal, estalar as articulações faz bem ou faz mal?

O que faz com que os dedos, quando estalem, façam barulho?

Articulações são pontos de encontro de dois ossos com tecidos conectivos e ligamentos. Todas as articulações de nosso corpo são cercadas por líquido sinovial. Quando você estica ou dobra o dedo para estalar a articulação, está fazendo com que os ossos da articulação se separem. Assim, a cápsula de tecido conjuntivo que circunda a articulação é alongada. 

Alongando essa cápsula, você aumenta o seu volume. E como sabemos, a explicação vem da química. Com um aumento no volume vem uma diminuição na pressão. Assim como a pressão do líquido sinovial cai, gases dissolvidos no fluido tornam-se menos solúveis, formando bolhas através de um processo chamado cavitação. Quando a articulação é esticada, a pressão na cápsula cai tanto que estoura essas bolhas, produzindo o estalo que nós escutamos.

Demora cerca de 25 a 30 minutos para o gás redissolver para o fluido normal. Uma vez que o gás evapora, a cavitação é possível mais uma vez, e é possível estalar novamente os dedos.

Quanto aos danos associados a esse hábito, de acordo com a anatomia e fisiologia, foi publicado apenas um estudo aprofundado em relação os possíveis prejuízos do hábito de estalar. Os resultados não revelaram nenhuma ligação aparente com patologias como artrite; no entanto, esse hábito pode apresentar sinais de outros tipos de danos, incluindo danos de tecidos moles para a cápsula articular e uma diminuição na força de preensão. 

Do lado positivo, há evidências de aumento da mobilidade nas articulações logo após o estalo. Quando as articulações são manipuladas, os órgãos do tendão de Golgi (um conjunto de terminações nervosas envolvidas no sentido de movimento dos seres humanos) são estimulados e os músculos ao redor da articulação estão relaxados. Esta é a razão das pessoas sentirem a articulação "leve" e "solta".

terça-feira, 22 de maio de 2012

POR QUE TRABALHAR O CORE?

Ele é o grupo de músculos que compõem o abdômen. 
Exercitá-lo ajuda a fortalecer a coluna, prevenir lesões e acabar com as dores nas costas.

O Core é composto por 29 músculos . 
(Clique na imagem para ampliar)
Já faz muito tempo desde que o filósofo grego Platão (428/7-348/7 a.C.) fundou nos arredores de Atenas a Academia, um núcleo de disseminação do conhecimento onde se ensinava, entre tantas outras coisas, a prática da ginástica. Desde aquela época, com a sua versão primitiva da atual academia de fitness, os exercícios físicos — assim como os acessórios e aparelhos utilizados — se modernizam e se aperfeiçoam. Hoje, quem sabe, poderiam até deixar com inveja o antigo pensador, que, diz a história, ostentava um tremendo porte atlético.

Uma das principais novidades dos últimos anos é o treinamento funcional do core, que conquista espaço nos centros esportivos do Brasil. Trata-se de uma seleção de exercícios focados em desenvolver e fortificar os 29 músculos que se estendem da porção logo abaixo do peito até a base da cintura. O core — termo inglês que significa centro ou miolo — é dividido, na verdade, em dois grupos: do primeiro fazem parte os músculos mais profundos, os locais, cuja função é manter a estabilidade da coluna lombar. O segundo é composto dos músculos globais, que ficam mais na superfície e são responsáveis pela flexibilidade da região — aqui entram inclusive os gomos da barriga tanquinho.

"Na área abdominal se convergem os movimentos de todo o corpo", explica o educador físico Mauro Guiselini, professor das Faculdades Metropolitanas Unidas, em São Paulo. "O treinamento funcional visa justamente acionar esse conjunto de músculos, o que é importante para garantir uma boa postura e uma coluna saudável."

O conceito do treinamento funcional é trabalhar todo santo músculo da região de forma integrada. "Com o core bem treinado e condicionado, o corpo inteiro fica mais coordenado e isso culmina em um menor risco de lesões, principalmente na coluna", ensina Allan Menache, preparador físico da academia Core 360º e gestor do treinamento inteligente do Instituto Mar Azul, na capital paulista.

Os exercícios centrados nesse panteão de músculos corrigem pequenas desproporções entre eles — algo que dá as caras em todas as pessoas. O resultado dessa reparação é extremamente útil às nossas costas. "Os treinos funcionais previnem e atenuam dores ali, que, na maioria das vezes, são decorrentes do desequilíbrio entre as forças musculares do tronco e da região pélvica", atesta a educadora física Gerseli Angeli, diretora científica do Centro de Medicina da Atividade Física e do Esporte da Universidade Federal de São Paulo. "É essa falta de harmonia que promove um círculo vicioso de má postura e dor."

Há uma gama de exercícios dirigidos ao core. "Muita gente pensa que os treinos são feitos apenas com o corpo deitado, mas as atividades também devem ser realizadas em pé, já que é nessa posição que permanecemos boa parte do dia", esclarece Menache. A intensidade e a dificuldade variam de acordo com o estágio em que a pessoa se encontra. Os iniciantes começam, de fato, com movimentos sobre uma base imóvel, como o chão. Entre os exercícios indicados nesse período estão o agachamento e as rotações de tronco.

Próxima fase: à procura do equilíbrio 

Quando a pessoa já adquire certa habilidade, passa para o estágio das superfícies móveis. Geralmente essas séries são realizadas com as fitballs, aquelas famosas bolas de ginástica, ou com outros aparelhos específicos para o trabalho do core. Além de exigir a força e a potência muscular dos treinos sobre bases fixas, esses exercícios demandam muito equilíbrio, o que inclusive ajuda a fortificar o abdômen. Não pense, porém, que é uma boa tentar improvisar o treinamento em casa. "Os movimentos e as posturas precisam ser rigorosamente orientados e bem executados, uma vez que erros promovem resultados contrários", alerta Gerseli.

Sabe aquela história do rapaz ou da garota que pratica abdominais no quarto? Muito cuidado se você se encaixa nela. Feitos de forma isolada — e equivocada —, esses movimentos podem prejudicar de vez a lombar. Isso porque a musculatura do core, de uma forma global, acaba desequilibrada. Não adianta, portanto, só malhar a superfície com aquele famoso movimento de sobe e desce focado no músculo reto do abdômen, o mesmo que, se bem trabalhado, forma o famoso tanquinho. "Os abdominais devem estar inseridos em um plano para o fortalecimento de todo o core. Sozinhos eles não bastam", afirma Mauro Guiselini. O sucesso do treinamento funcional do core, que com certeza chegou para ficar, depende de um conceito muito apregoado mas pouco praticado: o famoso equilíbrio.

Pilates, ioga ou treino do core? 

Embora seus objetivos sejam parecidos, as três modalidades se diferenciam em alguns aspectos. "A ioga e o Pilates fazem a pessoa se sentir melhor por meio do controle da respiração e da concentração em certos movimentos e posturas", ensina a fisioterapeuta Karla Andrade, do Spa Equilíbrio, em São Paulo. Segundo Allan Menache, treinador da academia Core 360°, o que difere as atividades é a forma de treinamento. "O treino do core é mais dinâmico porque exige potência e agilidade", opina.

Um time mais centrado 

O treinamento do core já é preconizado por alguns clubes do futebol brasileiro. De acordo com Fábio Mahseredjian, preparador físico do Internacional de Porto Alegre e da seleção brasileira, quanto mais o atleta malhar a região central de seu corpo, maior será a sua eficiência nas arrancadas, freadas e mudanças de direção, movimentos essenciais a todo craque. "O número de lesões no quadril, no joelho e no tornozelo dos jogadores do Inter caiu bastante após a introdução desse conceito", conta o especialista, um dos primeiros a adotá-lo nos times brasileiros. Outros esportes, como o vôlei, também já investem na onda do core.

Por dentro do abdômen

Na figura ao lado, você pode observar os principais músculos que formam o core: os locais, que dão firmeza à coluna, e os globais, localizados na superfície do abdômen

Fonte: Editora Abril 

sábado, 5 de maio de 2012

O MÉTODO PILATES NA GRAVIDEZ

      
      Uma condição mínima de aptidão física tem sido indicada como sendo um dos fatores que permite obter níveis consideráveis de saúde e qualidade de vida por permitir a capacidade de realização da grande parte das atividades da vida diária. Apesar disso, em algumas situações isto nem sempre é possível, seja em função da idade, por limitações físicas ou por características naturais de momentos de vida específicos. Durante a gravidez, diversos cuidados tem sido aplicados na tentativa de proporcionar à gestante melhores condições de saúde e bem-estar, inclusive ao bebê.


      Além da ampla rotina de exames característicos deste período, outros fatores intervenientes devem ser rigorosamente controlados. Dentre eles encontram-se as condições da gravidez, a alimentação, os hábitos da gestante, a socialização, os aspectos emocionais, e não pode ser deixada de lado a prática de exercícios físicos. As mudanças na estrutura músculo-esquelética no corpo da mulher características do período (frouxidão ligamentar e tendínea, parede abdominal protusa) alteram de forma considerável as propriedades musculares. Isto conduz na grande parte das vezes modificações nas curvaturas torácicas e lombares naturais da coluna, o que pode vir a se tornar fator de risco no futuro ao desenvolvimento de determinadas patologias.

   Antigamente não era comum indicar a gestante a prática de atividades físicas. Atualmente, é recomendável, porém com determinados cuidados em termos de intensidade e tipo de exercício a ser praticado pelo fato de, entre outras variáveis, ocorrer o aumento da compressão articular e da freqüência cardíaca de repouso (em até 80%). Dessa forma, os exercícios a serem selecionados devem favorecer o retorno venoso, de forma a não exceder os 140 bpm cardíacos, respeitando sempre o nível de aptidão física inicial da gestante quando do ingresso em um programa de exercícios e, de suma importância, as considerações médicas.

      A manutenção por muito tempo de posições que se opõem à gravidade causam cansaço na gestante. Outros fatores contribuem a isso, dentre eles o aumento no consumo de oxigênio do bebê; compressão de artérias; compressão do diafragma, devido ao maior volume uterino e vindo a dificultar a respiração; entre outros.

      Parece óbvio que a prática de atividades físicas que não causem um cansaço excessivo e reforce as musculaturas mais exigidas neste período, como a abdominal (músculo reto, oblíquo interno e externo, transverso), a do entre pernas (músculos vulvares, perineais, e parte dos glúteos), a das costas (grande dorsal, trapézios, rombóides) e peitoral (peitoral maior e menor) venham a ser as mais indicadas às gestantes.

      Neste sentido, o Método Pilates, como uma nova e recente modalidade de atividade física está em grande ascensão e aceitação e atende às necessidades citadas acima, com base em seus princípios. Com exercícios que podem ser realizados tanto em aparelhos como no solo é possível a execução de diferentes combinações de movimento assim como a adequação dos exercícios (mais de 500) às necessidades de cada pessoa. No caso de gestantes, enfatizando a estabilidade e o conforto (por meio da posição deitada) a fim de evitar o comprometimento postural agravado pela força da gravidade quando em pé e combinado com trabalho de outras musculaturas, buscando sempre acelerar também a recuperação pós-parto.

      Provavelmente este seja o único método que enfatiza em toda sessão o trabalho específico de todos os grupamentos especificados anteriormente. Por meio do princípio da “contrologia” (controle o máximo possível de consciente dos músculos e movimentos do corpo), busca a melhora em aspectos respiratórios, posturais, e de reforço e mobilidade articular e muscular.

      O número de sessões semanais do método, podendo ser individual ou em grupo, deve ser de no mínimo duas, com duração de 60 minutos, agradáveis e ritmadas, de modo que ao final da sessão a pessoa esteja disposta e sem dor, inclusive no dia seguinte. Caso isso ocorra, alguns dos princípios do método não foram corretamente aplicados. Grande parte dos estudos publicados até então são favoráveis às proposições do método.
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